Déjà Vu

Déjà Vu são sensações fortíssimas de que já passamos por uma determinada experiência. Há várias explicações, mas muitos casos desafiam a racionalidade aparente.

EXPLICAÇÂO PSICANALÍTICA:

Em termos freudianos, poderíamos estar sendo atraídos, via inconsciente, por situações onde repetimos padrões, ou talvez fazermos uma leitura particularmente intensa de situações bem cotidianas, quando elas nos evocam padrões inconscientes. Assim, dentre milhões de imagens cotidianas, números vistos, pessoas, assimiladas e deletadas sem maior significado aparente, o inconsciente escolheria justamente aquelas com as quais fizesse associações, dando uma falsa impressão de coincidência - quando o que pode estar sendo repetido é, no máximo, um padrão do observador.

EXPLICAÇÂO JUNGUIANA:

Mas há casos cuja complexidade desafia esta visão mais racional, ou pelo menos nos faz especular sobre uma natureza muito mais "transpessoal" para esse elemento quase externo (à consciência, é claro) que chamamos de "inconsciente".Carl G Jung, sucessor e dissidente de Freud, possui uma abordagem melhor. Para junguianos, os Déjà-vu estão intimamente ligados às sincronicidades (coincidências significativas), e ambos implicam em não termos pleno conhecimento da realidade.Déjà-vus, sincronicidades, significados simbólicos e pequenas previsões em sonhos são acontecimentos notados e relatados empiricamente por milhões. Porém, segundo Jung, não são adequadamente tratados por nossa ciência já que a mesma se baseia sempre em experimentos causais (reproduzíveis), enquanto Déjà-vus e sincronicidades são "acontecimentos que se relacionam não por relação causal, mas por relação de significado".

SOMBRAS DA CAVERNA

Fatos assim nos levam a questionar o tempo/espaço, e/ou a natureza coletiva do inconsciente. Para Platão, a "realidade" que percebemos são como as sombras em uma caverna, que nos dão idéias do movimento, mas não nos permitem compreendermos a verdadeira natureza e dimensão do que é observado. Para os quânticos, o tempo pode ser relativo, e a matéria também. Para os hindus, vivemos em "Maya", uma ilusão sensorial, e sequer o tema é o que parecer. Vem daí o fundamento de filmes como Matrix.

VISÃO ESPIRITUALISTA:

Em uma abordagem transpessoal, não entramos na discussão da natureza do que chamamos de inconsciente. Se para os fenômenos freudianos sua origem pode se situar nos domínios neurológicos, e em Jung este parece pelo menos envolver um sentido coletivo, podemos estender este conceito para abranger (ou pelo menos não descartar) as possíveis causas espirituais, paranormais ou teológicas que muitos apontam, uma vez que ao chamarmos de "inconsciente" admitimos não termos consciência de sua natureza. Assim, as "sombras" de Platão podem, pelo menos em parte, ser oriundas do que relatam como "mundo espiritual", e em havendo inteligências extra-físicas e/ou coletivas, não podemos descartar sua influência nas escolhas e percepções que psicanaliticamente classificamos como "inconsciente".

MINHA VISÃO

A minha visão particular possui embasamento pós-junguiano, transpessoal, com conhecimento psicanalítico, quântico, espiritualista - e, principalmente, grande massa de observação empírica e profunda de sonhos, próprios, de pacientes e de membros de comunidades que possuo com mais de 50.000 pessoas relatando os seus.Dentre outros motivos, tenho certeza que em mim a principal causa de Déjà vus são sonhos esquecidos, quase premonitórios.

Como anoto os sonhos, que são depois esquecidos, tenho certeza de que muita coisa dos sonhos aparece, ainda que figuradamente, nos dias ou meses seguintes.Ao contrário da maioria dos espiritualistas e/ou místicos, no meu caso não creio (com base no que observo) que isso ocorra para profecia ou previsão, nem tampouco que seja algo de "paranormais".Ao contrário, a observação me sugere que estas "futuras coincidências" são utilizadas no sonhos de hoje como se o inconsciente (seja lá o que ou quem for isso) criasse metáforas psicanalíticas com eventos menores futuros - do mesmíssimo modo que sabidamente as cria com fatos do dia anterior, com complexos da infância ou mesmo (junguianamente demonstrando) com símbolos e mitos do inconsciente coletivo.Quando enfim ocorre o fato previamente sonhado e anotado, tenho um "Déjà vu".

Quanto mais forte a lembrança do sonho, mais se parece com uma sincronicidade, dando uma estranha (e lúcida) percepção da "realidade" (seja lá o que isso for).Como anoto muito os sonhos, faço muitas leituras psicanalíticas e simbólicas do cotidiano, e estou atento a esta possibilidade de questionamento do tempo-espaço-realidade, parece que percebo vários deles, em volume maior que a média. Falo disso bastante nos cursos, chegando a conclusões no mínimo assustadoras, capazes de mudar a vida das pessoas, já que parecem (na prática) envolver futuro e co-criação.Já em outros casos como esse, esqueço do sonho, que se vai na memória de curto prazo - mas fica para sempre nas anotações. Passadas semanas ou meses, tenho um "Déjà vu", e só depois leio no caderno que havia sonhado com aquilo, figuradamente ou não, há mais tempo atrás.

Lázaro Freire
http://www.voadores.com.br/lazaro
Psicanálise Transpessoal, Terapia Junguiana, Clínica Filosófica, Acompanhamento Espiritualista
Consultas: Espaço Psicanalítico 267, Metrô Ana Rosa, 11-9164-9457

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