Perda De Dentes

Prof Enki:
Não sei se já foi comentado (ao menos ainda não li), mas dentes
caindo em sonho é um forte indício de doação de ectoplasma. É
comum haver sonhos com dentes caindo depois de algum trabalho
assistencial mais pesado. Portanto, é até normal que projetores
astrais sonhem com dentes caindo.

Olá, Enki. É verdade, mas gostaria de aproveitar seu comentário para
alavancar algumas considerações sobre o fato gerador do sonho (ainda
que astral) e as implicações psíquicas da representação simbólica
escolhida, não por acaso, pelo sonhador. Não é necessariamente um
contraponto à sua posição.

Parece haver consenso de que o tema universal "dentes que caem" em
geral trate da PERDA, em alguma instância. Perda dos atrativos, perda
de poder, perda da vida de alguém, perda da importância relativa em
algum lugar ou relação, submissão aos ciclos da vida (dentes caem
naturalmente ao longo da vida), a exaustão física ou psíquica em
algum momento (perda de vitalidade) - e, é claro, a óbvia perda da
libido, com todas as suas implicações.

Nessa visão, concordo, a "perda de ectoplasma" de um projetor, bem
lembrada por você, também seria uma das formas. É "perda", e dentes
caindo são uma conhecida representação. Mas não a única. Nem um
significado pronto. Explicarei.

Numa visão um pouco mais transpessoal dos sonhos, há vários corpos
produzindo sonhos diferentes (pelo menos sete, para usar a
classificação mais aceita, oriunda do samkhya hindu e adaptada pela
teosofia). Isso por si só já garantiria várias camadas de sonhos,
para não falar da questão do tempo-espaço que os produz, que
discutirei mais adiante.

Se cada corpo de manifestação tem seus próprios "sonhos", pode
parecer que nem todos teriam significados "psíquicos" imediatos, os
quais seriam mais aplicáveis aos sonhos de corpos psíquicos. Mas a
observação demonstra não ser sempre isso o que ocorre.

O filósofo místico Osho lembra, com razão, que se colocarmos uma
toalha úmida em cima de alguém que está dormindo, muitas vezes esta
pessoa pode vir a sonhar que está molhada, ou nadando, ou na chuva.
Isto é um sonho produzido a partir da percepção do corpo físico. Não
é a regra geral do que move os sonhos, mas é um dos fatores.

Ainda assim, no exemplo anterior, a simbologia escolhida para a água
não foi acaso, ela passou pela psique, que falou de si própria e de
seus simbolismos, independente do corpo que enviou a inspiração. A
pessoa não sonha com "toalha", e sim com variações mais ou menos
agradáveis de "água". O fator é só um gatilho, e não é a causa física
o analisável, e sim o simbolismo escolhido pela psique.

Registre-se que nem um extremo nem outro podem ser a regra.
Necessidades fisológicas noturnas, por exemplo, podem gerar sonhos
urgentes, incontroláveis, que provavelmente não merecem maior
tradução psicanalítica.

O exemplo de espiritualistas assistencialistas relaterem sonhos com
dentes e os atribuirem a sua atividade projetiva de doação energética
também é verdade comumente aceita entre os meios que estudam as
saídas do corpo. Eu concordo com ela, mas questiono até que ponto a
capacidade de quem está assumidamente observando a tradução onírica,
e não o fato gerador, garante a origem física compatível com seu
credo prévio - uma vez que, em se pressupondo uma experiência naquele
momento simbolizada, até figura do amparador poderia ser uma metáfora
para o Self… ou vice-versa.

Caimos na anedota do peixe que, tendo dado um pulo além da água,
volta dizendo que o Oceano é Maya (do sânscrito: ilusão), que a vida
na água é muito "densa", que há mundos mais sutis além, dos quais ele
comunga. Ironicamente ele só pode fazer isso a partir do próprio
oceano, que limita e distorce sua visão, por exemplo, dos barcos
pesqueiros que catalizam a "transcendência" dos cardumes que por
ventura conduza a nadar rente à superfície próxima do sutil. A
própria percepção da caverna já é uma sombra, em si. E nesse
contexto, o real passa a ser o simbólico, este sim traduzível, tanto
nos sonhos quanto nas projeções.

Analizemos, ainda assim, o simbolismo dos dentes caindo como um fato
real ocorrido em saída do corpo: Nesse caso, um projetor sonhando com
dentes seria um sonho do segundo corpo, o etérico, praticamente uma
variação mais sutil do corpo físico. O fenômeno ocorrido no campo
intermediário interfere na produção do sonho, criando uma tradução a
partir do dado, do mesmo modo que a toalha molhada citada por
Rajneesh Osho.

Ainda assim, o inconsciente do projetor, dentre várias
possibilidades, escolheu fazer disso um sonho com perda de dentes (no
sentido simbólico da perda). É provável que isso ocorra mais
frequentemente com aqueles projetores que teriam fatos psíquicos que
justificariam a mesma simbologia - ou tema - ainda que oriundo de
outro contexto.

Note que no sonho de outro projetor, a partir do mesmo estímulo de
ectoplasmasma saindo da boca, poderia fantasiar, por exemplo, emanar
um hálito de luz. Ou, dependendo das condições psíquicas, sucumbir a
uma crise de náuseas, ou outras escatologias. O fato é único, mas o
processamento psíquico interno é criativo, infinito… e pessoal.

A doação de ectoplasma também sugere a saída de matéria bioenergética
que estrutura todo nosso corpo, ossos, chakras e duplo. Doar isso, na
visão espiritualista, poderia ser amplificado para "doar vida",
inclusive em um sentido transpessoal. Sequer a oralidade acima
precisa ser a regra (o que convida a uma releitura freudiana nas
saídas fora do corpo, uma vez que o astral não elimina as paixões e
cargas libidinais, talvez até as potencialize).

Dependendo do momento ou mesmo saude psíquica, diversas outras
metáforas poderiam ser adequadas ao caso estudado, um projetor doador
de ectoplasma:

- Ter intercurso sexual doando semem branco e leitoso (metáfora
óbvia), o que levaria a analisar como e com quem anda transando ou
deixando de transar, tanto no sonho quanto na vida real.
- Permitir, a partir de si, a vida de um outro ser. Ainda assim,
alguns poderiam ter sonhos como pai, outros como mãe. Homens poderiam
se ver grávidos. Outro poderia ter uma cena que lembrasse o
filme "Alien". Ou as enguias do "Apanhador de Sonhos" (um filme
inteiro "sonhado", história vista a partir do inconsciente e suas
associações, e por isso não compreendida pela maioria).

Haveria outros exemplos, mas a idéia é comum: uma toalha molhada pode
levar a sonhos com enchente, mas nem todo sonho com enchente "é"
toalha molhada; e mesmo quando é, não dispensa a interpretação
psíquica paralela. Doar ectoplama pode levar a sonhos com dentes, mas
é vago fazer o caminho contrário e associar "sonhos com dentes"
a "doação", uma vez que mesmo em projetores esta é apenas uma das
muitas manifestações de sua existência física, psíquica e espiritual.

O símbolo é bem mais importante do que o fato gerador, e se a
expressão se deu em sonho, sujeita-se a seus mecanismos psíquicos
independente da origem ser um fato do dia anterior, uma premonição
sem importância de evento do dia seguinte… ou uma doação de
ectoplasma em tempo real.

Ectoplasma não sai só pela boca, e quando sai, não vem dos dentes -
ou, pelo menos, não só. Os que fazem essa associação, e não outra,
deveriam ainda assim, a meu ver, questionar os simbolismos psíquicos
escolhidos para a associação do evento percebido. A explicação
de "ser doação ectoplásmica" está corretíssima enquanto
possibilidade, mas há o risco de alguém ancorar-se nela como
racionalização, desviando o sonho de sua função maior.

Tenha o sonho origem física, psíquica ou transcendente - e
particularmente tenho dados para crer existir realidades
conscienciais nos três níveis - a ciência da "origem" e do "fato",
inclusive em seus estudos filosóficos ou espirituais, não deve
competir com a interpretação simbólica em paralelo, sob pena de
converter-se em mecanismo de defesa.

A experiência junguiana, humanista e transpessoal - e até mesmo a
psicanalítica clássica - parecem endossar a presença de um sentido
existencial nos recados oníricos, intimamente ligados à condução de
vida em aqui-agora do sonhador, e que parece ocorrer em todos os
planos e tipos de sonhos, dos mais físicos aos mais sutis.

Em minha visão transpessoal particular, isso pode inclusive ser a
forma como o sonhador (ou projetor) percebe a comunicação
imprescindível que lhe tenta fazer, ainda que simbolicamente, o
Amparador, Self, Eu Maior, Mente desconhecida, Guia, Subconsciente,
Insconsciente Coletivo, Deva… ou mesmo o termo de adoção mais comum
(e, a meu ver, menos dogmático, incluindo aí os "credos" atuais da
ciência e psicologia cética) para a voz do UM que fala dentro dos
sonhos. Se todos os termos são, em algum nível, imprecisos ou
incognoscíveis, prefiro chamá-Lo mesmo de… "Deus".

ABORDAGEM TRANSPESSOAL DOS SONHOS
Parte 2: A pirâmide 3D da consciência atemporal

Além da questão de corpos de manifestação distintos sonharem sonhos
também diferentes, entendo que uma teoria transpessoal dos sonhos
precisaria multiplicar também todas essas possibilidades pelas
variáveis do "tempo-espaço" em relação ao tema metaforizado pelo
trabalho do sonho; o que, em meu modelo, tem ligações diretas com o
inconsciente pessoal e coletivo, complexos e arquétipos, sugerindo um
modelo para a consciência e sonhos no qual tempo-espaço sejam apenas
mais uma de suas dimensões.

A experiência clínica me mostra que sonhos tendem a transcender,
ainda que ligeiramente, o tempo-espaço e nossas noções mais comumente
aceitas de lógica, conhecimento, individualidade ou memória. Projeção
astral e fenômenos paranormais poderiam certamente ser uma explicação
para casos particulares dessa constatação (e dentre meu público
naturalmente tenho muito campo de estudo para isso), mas ainda assim
não contemplam o todo das possibilidades: há excessões importantes,
as quais, ainda que raras, questionam todo o modelo científico,
psicológico e espiritualista atual.

A observação de casos sugere, como esperado, que as maiores verdades
de nosso tempo não passem de um paradigma atual - ou "mito", no
melhor do sentido Campbel-junguiano do termo. Comprovada pela
história da humanidade, essa lógica simples não poupa, é claro, nossa
visão do dito "espiritual", por mais que a minha me seja cara - e até
mesmo indispensável - no momento atual. Ou seja, temos modelos úteis
limitados à visão particular do observador, e que se aplica bem a
maioria dos casos práticos em um contexto limitado. Mas que, ainda
assim convida a busca de um modelo mais completo.

A visão piramidal 3D que proponho tem se mostrado um modelo simples e
eficientemente integrador, na medida do possível, tanto a casos
clínicos de interpretação de sonhos quanto a visões filosóficas e
teóricas sobre a consciência, tempo, espaço e inconsciente,
individuais ou coletivos. O conceito já é familiar a quem frequenta
meus cursos e palestras, não tem relações diretas com a de Maslow
(que na verdade, é um triângulo), e esboçarei pela primeira vez por
escrito alguns de seus conceitos - o que implica em limitações.

No caso dos sonhos, além de serem produzidos por corpos de
manifestação distintos, como dito na primeira parte deste esboço,
parece haver também vários fatos e tempos geradores do que se percebe
do ponto que chamo de "o alto da pirâmide".

A pirâmide 3D da consciência atemporal tem retas individuais-
temporais da base, inconsciente coletivo no meio e o "um" no ápice. O
modelo permite diversas sub-projeções de pequenas pirâmides menores a
partir de uma observador em sonho ou estado alterado. Quanto mais
elevado o ponto, mais atemporal a visão, entretanto, mais coletiva
também.

Se compreendido, o modelo explica facilmente por, exemplo, a presença
frequente de sonhos com eventos do dia seguinte, mas a raridade e
imprecisão de profecias futuras detalhadas; assim como traz uma visão
dos sonhos comuns entre pessoas (retas) próximas, mas não a
onisciência de toda a humanidade. Alguns psicóticos podem, a partir
de sua projeção piramidal, acharem-se tão deuses quanto o ponto
maior, o que talvez seja em parte verdadeiro. Há outras implicações
também harmonizando teorias hoje atribuidas ao pensamento mágico,
especialmente se consideramos as contribuições de Jung no estudo da
função prospectiva e na ocorrência futura de fatos concretos de
tradução simbólica há muito anunciadas.

Além dos anos de prática clínica transpessoal, unindo justamente a
visão espiritualista à psicanalítica, de meu embasamento junguiano
anterior e à minha formação em transpsicanálise, ressalto que minha
amostragem do modelo é particularmente representativa por eu há anos
acompanhar relatos, devido a ser facilitador do maior grupo mundial
de relatos de projeção e espiritualiade cotidinana (7000 membros
atuais, 17000 membros históricos, 7 anos, 70000 mensagens), bem como
da maior comunidade sobre interpretação de sonhos e sincronicidades
(60.000 membros atuais, estimativa de 100.000 históricos, 3 anos).

Assim, não se trata de uma "teoria" ou filosofia pessoal favorita,
mas a melhor síntese de casos reais, os quais não raro constestaram
meus próprios credos pessoais.

O que gostaria de colocar em consideração a partir daí, e admitindo
como linguagem comum as *possibilidades* e teorias transpessoais,
psicanalíticas e espiritualistas de maior consenso atual, é que um
modelo piramidal aplicado ao fator gerador do trabalho de sonhos,
estes parecem buscar inspiração, dentre outras possibilidades:

- nos complexos da infância e seus simbolismos,

- nos conteúdos associáveis a traumas, repressões ou suas sublimações,

- nas compensações de fatores psíquicos, através de "inversões" que,
sem intenção de juizo moral, reequilibre a balança psíquica (ex:
sonhos felizes dos deprimidos, violentos dos pacíficos, pessoas sem
prazer sonhando com orgias ou banquetes, ciumentos com traição, híper-
protetores com morte ou perda do ser amado, ex-dependentes químicos
com seu vício, reprimidos ou abstênios com situações sexuais, etc)

- de fatos metaforizados a partir do dia anterior,

- de temas comuns universais (nudez, dentes, sexo, carro, voar,
quedas, fazer uma prova, perseguição) como metáfora da condução de
vida atual (sentido existencial, individuação, etc),

- no inconsciente coletivo,

- em associações arquetípicas universais (mesmo que, como citado por
jung, em mitos e variações aparentemente desconhecidos pelo sonhador)

mas ainda que certas causas abaixo demandem uma ciência acausal
difícil de demonstrar ou reproduzir senão pela observação, e outras
adentrem, na falta de teoria melhor, explicações que hoje se
encontram no terreno dos credos pessoais, também é verificado a
ocorrência de sonhos derivados:

- de fatos cotidianos do dia SEGUINTE (!), em geral sem maior
importância (a não ser simbólica, se interpretado);

- do que orientalistas chamam de registros akáshicos (o que pode, em
parte, ser uma forma de ver o inconsciente coletivo, arquétipos ou
alguma memória coletiva ou "de espécie" já especulada por algumas
visões acadêmicas);

- de fatos projetivos, astrais ou oriundos de alguma realidade
transcendente;

- da intervenção direta de alguma consciência extra-física maior, no
mínimo transcendente ao que conhecemos como "eu", ou talvez coletiva;

- de uma possível vida passada (não necessariamente do sonhador);

- de dias futuros que terão grande significado ao longo da vida
(morte de parente, tragédia, fim de relação), ainda que o
conteúdo "previsto" analisável nem seja sempre o fato principal do
dia "em negrito" na existência do sonhador, mas não raro deslocado
para algum evento menor (ex clínico real: sonho com frentista do
posto de gasolina no dia futuro em que morreria um tio de meu
paciente. O sonho falava sobre "energia" e "combustão").

Considere-se todas essas possibilidades em conjunto com a visão
coletiva e atemporal da consciência propiciada pela pirâmide, aliados
aos já citados sonhos diferenciados pelos vários corpos de
manifestação, e concluimos que no mínimo é equivocado descartar a
atribuição de conteúdos simbólicos a qualquer instância da percepção
sensorial, especialmente a inconciente; além de inviabilizar a
eficiência generalizadora de qualquer "dicionário" de sonhos e
interpretações.

Uma exploração mais detalhada do modelo leva também, fatalmente, a
questionamentos sobre a natureza do simbólico e do real, bem como do
que forma a consciência, mas essas questões fatalmente implicam em um
adentramento filosófico, metafísico ou mesmo teológico que extrapola
em muito os objetivos deste primeiro esboço. Lembro, porém, de um
aposto de Jung no último volume de suas "Cartas", em que
cuidadosamente anunciava exatamente isso: a compreensão do modelo em
que os sonhos parecem ocorrer nos levaria a conclusões sobre a
realidade (e sua contrução) um tanto difíceis de serem aceitas, além
de incomodamente próximas dos estudos oriundos de algumas das mais
milenares filosofias monistas orientais.

Onde termina a vida consciente e começa a simbólica, ou o contrário?
Não poderia ser a "espiritualidade no cotidiano", em alguma
instância, a integração harmônica do inconsciente no "aqui-agora"? E
pelo mesmo raciocínio, não poderia ser a lucidez meditativa,
projetiva ou intuitiva uma presença mais consciencialmente
estruturada dentro dos limites do inconsciente? Nesta visão, não
poderiam ser os sonhos lúcidos, as projeções da consciência, a
percepção da vida simbólica, a tradução psicanalítica e a observação
das sincronicidades, todas elas, faces de uma mesma ferramenta de
individuação ou, como citam os espiritualistas, "evolução" da
manifestação consciencial?

Sonho ou projeção? Como sempre digo, não faz tanta diferença para o
ponto de vista simbólico. Nem tampouco para a aplicação das mensagens
apreendidas em um contexto do que alguns podem ver como integração da
espiritualidade no cotidiano, mudança existencial, progrsso evolutivo
ou trabalho psíquico de individuação.

O simbolismo do inconsciente (ou do mundo espiritual, se preferir)
está presente até mesmo nas sincronicidades da vigília, a qual
supostamente ocorrem em um mundo "sólido" e pragmático. Mas, como
lembra Jung, mesmo a pequeníssima ocorrência de fatos que desafiam a
lógica do tempo-espaço, certamente já percebidos por todos pelo menos
uma vez (através de estados alterados da consciência, fatos
inexplicáveis isolados, coincidências significativas irreproduzíveis
ou mesmo por algum sonho premonitório relativo a fato de menor
importância no dia seguinte), já deveria nos levar a questionar se
a "continuidade objetiva" com a qual enxergamos nosso
mundo "material" pode mesmo ser uma regra geral.

Uma vez que até mesmo a vida compacta e aparentemente contínua que
levamos na vigília neurótica, em um mundo plasmado a partir da
percepção do consciente pelos sentidos, mostra-se influenciável pela
vida simbólica e psíquica do inconsciente; seria por demais
surpreendente - para não dizer completamente descartável - que
justamente os fatos ditos projetivos e astrais, ocorridos em um mundo
etéreo ou espiritual (por definição muito mais maleável e coletivo,
plasmado a partir do inconsciente), fossem isentos de qualquer
simbolismo ou interpretação.

A vida simbólica, me parece, é como a consciência: indissociável de
qualquer corpo ou plano de manifestação.

Lázaro Freire
Psicanalista Transpessoal… e projetor astral.
http://www.voadores.com.br/lazaro

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