Provas da Projeção Astral

Tenho observado, em nossa lista espiritualista VOADORES, o crescimento de
preocupações com "provas", "experimentos" e redução das experiências ao
puramente cerebral. É necessário, portanto, fazermos alguns esclarecimentos,
para não "deixar quicando", uma vez que incentivamos o debate enquanto agregue
dados e discernimento, mas não como convite ao "materialismo cético
fundamentalista", que não é nossa opção em um grupo que, longe de querer
"provar" algo para quem não tem certeza íntima, garante espaço para quem tem
trocar considerações sobre o fenômeno.

Pesquisas transpessoais, considerando a neuropsicanálise, documentam
SIM a presença de dopamina e neurotransmissores em alguns eventos.
Isso não prova que não exista algo além do cérebro, apenas que
causas, internas ou externas ao cérebro, provocam repercurssões ali.

Isso não significa que seja a CAUSA, especialmente das que NÃO
envolvem dopamina, ou das que trazem informações do "delírio" que não
poderiam ser obtidas No córtex ou neo córtex cerebral.

Certamente OCORRE efeitos cerebrais nos fenômenos espirituais (assim
como ocorre também em QUALQUER outra atividade do ser humano,
dormindo ou acordado). Daí a tentar compreender o fenômeno pela
simples análise dos neurônios, ou reduzí-lo à isso, é da mesma
inteligência que tentar compreender a poesia a partir da análise
microscópica dos pigmentos de tinta, e/ou considerar que o autor foi
o nanquim, e o sentimento CAUSADOR, um acaso molecular.

Alalisando com BOM SENSO causal, é sim "possível" o que querem os
céticos - embora seja um pouco menos provável do que sair uma
enciclopédia a partir da explosão de uma tipografia.

Aliás, uma das questões mais importantes na psicologia e psicanálise
transpessoal é prospectar os limites da experiência cerebral e/ou pessoal
daquelas que transcendem a pessoa, e tangenciam o espiritual. Logo, estes
limites não só existem em nossa ótica, como são objeto de um cuidado redobrado.

Certamente, atividades inteligentes humanas manifestam-se no neo-
córtex cerebral, diferenciando-nos dos demais mamíferos que tem até o
córtex, ou dos demais animais que só tem cérebro límbico (emoção)
e/ou reptílico (instintivo).

Logo, uma experiência transcendente, até talvez "mais humana que as
demais" o ativaria também. Pelo raciocínio cético exposto, seria o
mesmo que provar não termos inteligência por termos cérebro reptílico
como outros animais. E note que pouco sabemos sobre nossa natureza
reptílica, e os mecanismos de ação do inconsciente no cerebral.

Certamente há ondas cerebrais e neurotransmissores em ação, mas
certamente também há muitos espiritualistas que sabem disso,
pesquisam o assunto TAMBÉM (e não ao invés de) e corretamente os
consideram. Assim, o discernimento é importante, AGREGANDO dados. Mas
não pode nos conduzir a uma - desculpem o trocadilho - "lavagem
cerebral".

Sobre "provas" das EFC´s, para "não deixar quicando", cito Wagner
Borges:

"Se a minha certeza íntima incomoda a sua dúvida, saiba que sua
dúvida não incomoda minha certeza. Logo, quem tem a dúvida é que
precisa (se quiser) fazer como fizemos, e pesquisar, e experienciar
por si só. Nunca entendi: se a dúvida é DO OUTRO, e não minha, é ELE
quem tem que correr atrás, e não EU provar nada para ninguém".

Está mais do que correto o raciocínio dele: Afinal, muitos dos que já
viram espíritos e todas as provas e sincronicidades, depois negaram a
espiritualidade. Inclusive famosos…

Por outro lado, vários que nunca viram nada tem mais certeza íntima -
e garra espiritual - do que os que viram. E isso sem ter nada a ver
com "fé" ou religão.

Portanto, não é a "prova" que faz a diferença, e sim a postura
consciencial. E o discernimento, unindo intelecto e CORAÇÃO
(impensado para pesquisadores técnicos, mas fundamental para uma
CORRETA compreensão), do que é causa e do que é manifestação.

Por exemplo: Não precisamos ver um buraco negro para sentir seus
efeitos em tudo em volta, é possível auferí-lo a partir do que causa,
e da necessidade de causa para uma compreensão lógica do que, sem
ele, não encontra explicação.

Logo, um verdadeiro cientista não exigiria a foto do mesmo para
acreditar em sua existência. Já um cético de lista de discussão,
patologicamente objetivo, não conseguiria trabalhar com uma
suhjetividade causal assim.

Isso não tem nada a ver com ciência, e muito mais com o que a
psicanálise chama de NEUROSE: negar a todo custo o inconsciente e
subjetivo na vida, projetando ou não em alvos do consciente. Daí a
importância de tentar fazê-lo, por exemplo, atacando ou contestando
listas espiritualistas, onde ele é oposto, e não nas de VERDADEIRA
ciência, onde seria ridicularizado.

Em vários casos conhecidos, o cético fundamentalista é filho de pais
espiritualistas, e ao atacar institutos ou grupos conhecidamente de
valores contrários, o faz muito mais por negação do valor dos pais.
Ou seja, é mais um assunto de ciências humanas e divãs privados do
que das exatas e publicações.

Não tenho "dúvidas": Dentro ou fora do corpo, sou espiritualista, e
estou BEM. Se o cético, se sente MAL com nossa certeza espiritual,
que faça como fizemos:

Que corra atrás!

Por si.

Lázaro Freire

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